Curando as feridas com a mãe
Olá, comunidade O Corpo Cura!
Que bom estar de volta com vocês. Sou Ana Russo, e hoje, vamos olhar para a relação com a nossa mãe.
Independente da relação que você tem ou não com sua mãe, durante 9 meses você habitou o seu ventre. Nesse período você se nutriu do corpo dela e também das emoções, das memórias, das crenças, dos medos e das percepções que ela tinha sobre o mundo e as relações. Como a sua mãe também habitou o ventre da mãe dela - no caso, sua avó - você também absorveu todas essas impressões da sua avó através da sua mãe. E a sua avó absorveu da mãe dela, que absorveu da mãe dela, e da mãe dela… Ou seja, hoje você carrega referências que não são suas, foram transmitidas pela linhagem de mulheres da sua família, de tempos ancestrais até hoje. Imagina uma tecnologia humana, desenvolvida para garantir a sobrevivência da espécie sem precisar dizer nada! É disso que estamos falando, uma transferência de conhecimento já foi muito necessária. E funcionou tão bem que você e eu estamos aqui hoje. Então o primeiro passo é honrar essa sabedoria que foi transmitida, e agradecer!
Quando conhecemos a nossa história e o que carregamos dela, somos capazes de escolher o que seguiremos levando conosco. Do contrário, essa história se torna um peso, e nem temos clareza para compreender se o que estamos escolhendo é a nossa própria vontade, ou se só estamos no automático reproduzindo inconscientemente esses padrões que herdamos.
Mesmo que você não tenha sido criada pela sua mãe, seja adotada, ou se sua mãe já é falecida, esta prática vai te ajudar a acessar e organizar todo esse arquivo de memórias e padrões que você talvez nem perceba.
Hoje, vamos olhar para isso em três etapas. Primeiro, para o tempo que estivemos no ventre da nossa mãe. Na segunda parte, olharemos para nossa infância. E na terceira parte, nossa vida adulta. Você pode fazer as três etapas seguidas, ou se preferir pode ouvir uma de cada vez, em momentos ou dias distintos. O importante é estar atenta sobre como se sente. Se precisar, faça uma pausa para acolher o que surge e retome depois.
Como todo trabalho de cura, o processo acontece em camadas. À medida que tomamos clareza e nos libertamos de uma questão, outros temas podem surgir para serem vistos e cuidados. Então a minha sugestão é que você repita esta prática algumas vezes, se permitindo sentir o que surge e aprofundando um pouco mais a cada nova vez.
Depois, compartilhe aqui sua experiência, me conte como essa prática te ajudou na sua relação com você mesma e com sua mãe.
Vamos começar!
Encontre um lugar tranquilo, onde não seja interrompida. Se quiser, tenha a mão uma almofada ou uma coberta, para se aconchegar durante a prática
Coloque-se em uma posição confortável. Permita que seu corpo sinta-se amparado, seguro, não precisa ficar em posição de meditação. Queremos liberar tensões, então encontre com o seu corpo a melhor postura. Com o sistema nervoso relaxado, conseguimos acessar e liberar mais facilmente o que está guardado nas memórias do corpo.
Feche os olhos, e sinta os seus pés. As sensações na pele. Sinta os tornozelos, as canelas, os joelhos, as coxas. Perceba o peso das pernas e libere esse peso agora.
(pausa)
Direcione a atenção para os quadris. O assoalho pélvico, o coccix, as virilhas. Perceba se há tensões nessa região e intencionalmente solte o ar liberando o que está tenso.
(pausa)
Sinta o tronco, abdômen, peito, costas. As costelas, escápulas, axilas, ombros. Os orgãos internos, o diafragma. Libere tensões, rigidez, pesos.
(pausa)
Leve a atenção para os braços, cotovelos, punhos, mãos, dedos, sinta cada parte mais solta e leve
(pausa)
Sinta o pescoço, a nuca, garganta, maxilares, língua. Sinta toda musculatura do rosto, lábios, bochechas, têmporas, olhos, sobrancelhas, testa. Sinta o couro cabeludo.
(pausa)
Perceba a respiração, o ar entrando e saindo, o corpo todo se nutrindo da respiração, sem resistência. Solto, leve, relaxado.
(pausa)
Nesse estado de relaxamento e presença, convido você para repetir mentalmente ou em voz alta
Neste momento, sinto meu corpo e me permito acessar suas memórias para a cura. É seguro sentir. É seguro lembrar. É seguro curar.
(pausa)
No ventre
No ventre da minha mãe eu senti, percebi e tomei como meus os medos, as emoções, as crenças, os padrões de comportamento e os modelos de relacionamento que eram dela.
Como um ser em desenvolvimento, me nutri de tudo isso que formou meus corpos físico, mental e emocional.
Com amor, honro tudo o que recebi de minha mãe
Hoje tomo consciência e devolvo à minha mãe o que é dela. Devolvo com respeito, sem julgamento, sem cobrança, sem culpa.
Libero dos meus corpos e do meu campo energético todos os registros de medo, raiva, insegurança, rejeição, abandono, dor e escassez que senti no ventre
Carrego comigo apenas o que é meu
Eu me permito neste momento nascer novamente, confiante, alegre, segura
Eu me acolho com amorosidade plena
Eu escolho viver a minha história
Eu escolho estar aqui agora
Minha mãe, eu te vejo como mulher além de mãe
e honro a sua história do jeito que é
Eu te liberto das dores e da culpa que você carregou por minha causa
Que você possa acolher a sua história com amorosidade
Receba de mim meu amor e minha gratidão
Siga sua vida em paz
Eu sigo a minha vida em paz
E assim é
(pausa)
Infância
Durante a minha infância, eu aprendi a existir no mundo, me proteger, me relacionar e amar a partir das experiências que vi e imitei da minha mãe
Com amor, honro tudo o que recebi de minha mãe
Hoje com consciência e amorosidade me liberto de todos os padrões que me limitam e me impedem de manifestar quem eu realmente sou
Libero dos meus corpos e do meu campo energético o medo do julgamento, a necessidade de aprovação, a sensação de não ser vista, a dor do abandono, a dor da incompreensão e da solidão
Minha mãe, eu honro a sua história do jeito que é, e entrego para você meu amor e minha gratidão
Eu honro a minha história, e sigo livre pelo caminho que eu escolher, sem culpa, sem julgamento, sem limitações
Eu me acolho
Eu me aprovo
Eu me permito viver a minha vida com alegria e leveza
E assim é
(pausa)
Adulta
Hoje olho para minha mãe com bons olhos
Vejo a mulher além da mãe. Reconheço suas virtudes e recebo com o coração aberto a vida que ela me deu. Isso é o suficiente
Minha mãe é a mãe certa para mim, e fez sempre o melhor que pôde
Amo e respeito minha mãe do jeito que ela é
Recebo da minha mãe suas qualidades e tudo que me fortalece
Guardo em mim o que é Luz e permito que floresça em meu caminho
Honro de onde eu vim, sou a continuação da vida, e faço diferente onde é necessário
Estou em paz com a minha história e com as minhas escolhas
Eu me permito viver a minha vida
Eu sou capaz de seguir o meu caminho
Sigo plena de amor
E assim é
(pausa)
Inspire lentamente. Solte o ar num suspiro sonoro. No seu tempo, com gentileza, prepare-se para mover o corpo, espreguiçar, alongar, bocejar. Por último, abra os olhos. Se fizer sentido para você, escreva como foi essa experiência, as sensações, os insights, as liberações.
(pausa)
Agradeço por estarmos juntas nesta jornada. Até a próxima
O Corpo lembra
O Corpo sabe
O Corpo cura
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