A cura está na frente do seu nariz (e você não vê!)

 


A cura está na frente do seu nariz (e você não vê!)


Olá, muito bom estar aqui de volta com você!


Já ouviu a expressão “está na frente do seu nariz” ? Quando eu era criança ouvi da minha mãe muitas vezes. Para sinalizar alguma coisa que estava ali, fácil de ser vista, mas que pela minha distração, desconhecimento, imaturidade, enfim, eu não conseguia enxergar ou perceber. Digo perceber porque ela usava a expressão não apenas para falar sobre coisas visíveis, palpáveis, mas minha mãe chamava atenção também para o que é invisível, as entrelinhas de uma fala, avaliação de um contexto, seguir a intuição. Então, na frente do seu nariz há mais do que você consegue enxergar. E hoje vamos falar de algo que está sempre aí, mas acho que você nunca viu.





Quando a energia do seu corpo está baixa, o hipotálamo lá no seu cérebro manda uma informação, você sente o vazio no estômago, sente fome e… come!

Quando você está perdendo calor, o aviso vem pela sensação de frio, a pele arrepia, as extremidades ficam geladas, e você… se aquece!

Quando você sente raiva, ou medo, ou alegria, o sistema límbico ativa o sistema nervoso autônomo, o sistema endócrino, e isso gera respostas físicas como suor, aceleração cardíaca, reações comportamentais como gritar, se encolher, falar alto e você, com ajuda do córtex pré-frontal, o nosso juíz, analisa essas respostas e modula a expressividade e intensidade dessas reações.

Percebe como tudo acontece, o tempo todo, pela ação de respostas automáticas de sistemas e comandos que você não acessa e não controla? Hummmm… será que estamos vivendo nossos dias reféns dessas programações cerebrais, neurais, hormonais, sem realmente escolher o que e como queremos sentir, expressar e agir?


Me conta: como você negocia com seu hipotálamo para que ele não mande sinal de fome?

E como você programa seu sistema límbico para quando você sentir medo ele não acionar o sistema nervoso autônomo nem o sistema endócrino, que fazem você querer fugir, se encolher, sair de cena?

Que ações práticas e efetivas você está realizando para atuar diretamente nessas programações fisiológicas, alterando suas respostas físicas, emocionais e racionais?

Isso sem falar no que já está no nosso DNA, nos padrões familiares, sociais e culturais assimilados e aprendidos, nas influências transgeracionais…

Falando assim, parece que somos hamsters na rodinha, reproduzindo reações conforme os estímulos nos chegam e não temos saída né





Bem… De verdade, se você não tem uma prática de autoconhecimento e autorregulação, você está na rodinha do hamster. Se preferir, pode se ver também na roda do samsara, o conceito de religiões orientais como Hinduísmo e Budismo que fala sobre o ciclo interminável de nascimento, morte e renascimento impulsionado pelos nossos Karmas (a lei de causa e efeito) e pelos desejos do mundo material. Para se libertar do samsara e atingir o Nirvana, é necessário desenvolver práticas de autodesenvolvimento espiritual e seguir no caminho do Dharma (o caminho da essência do Ser) 





Se a má notícia já foi dada, é a hora da boa notícia! Boas notícias, no plural.


Primeira boa notícia: você não precisa se converter ao Budismo ou ao Hinduísmo para sair da rodinha do hamster


Segunda boa notícia:você  não precisa estudar compêndios de escrituras antigas para aprender como atingir sua libertação


Terceira boa notícia: A solução está na frente do seu nariz. E você vai ver tudo! Agora!





Ela é invisível. No dia-a-dia, entra e sai sem ser vista. Sem ser percebida. Você não dá atenção ao seu fluxo ininterrupto e contínuo. Por isso mesmo ela é deixada em segundo plano e se torna automatizada. O que parece ótimo, porque estamos aqui, vivas, despreocupadas, sem precisar parar as tarefas do dia para cuidar dela. Maaaaaaaas… sim, temos aqui um mas bem longo, deixá-la no piloto automático não faz nada bem. 


Se dedicarmos atenção e intencionalidade, ela é capaz de mudar aquelas programações fisiológicas, alterar as sensações físicas, os sintomas, manejar os impulsos incontroláveis, as reações exacerbadas, as oscilações e desequilíbrios emocionais. Isso mesmo, ela é poderosa! Ela manda na bagaça toda se você empoderá-la.


E não precisa muito esforço não para desenvolver essa potência. Precisa atenção, consciência, vontade. E rotina. Cuidar dela todo dia como você escova seus dentes. Aliás, enquanto escova os dentes  pode ser um momento muito favorável para aprimorá-la.


De quem estou falando?


(Confesso que agora é daqueles momentos que eu adoraria fazer uma brincadeira, um suspense, deixar a revelação para o próximo post. Mas eu acho, só acho, que você não ia gostar muito desta estratégia rs)





Nossa estrela de hoje é a Respiração. 


A respiração atua diretamente sobre todo nosso Ser, o corpo físico, a qualidade dos pensamentos, os estados emocionais, o campo energético.

E vou direto ao ponto, aliás, aos pontos que fazem da respiração essa ferramenta de auto regulação, equilíbrio, transformação e cura.


  1. Controle Involuntário: O tronco cerebral (bulbo) contém o centro respiratório que controla a respiração automaticamente, ajustando-se aos níveis de oxigênio e, principalmente, dióxido de carbono no sangue. Quanto mais esse processo de trocas gasosas estiver em equilíbrio, melhor a leitura do sistema nervoso de que “está tudo bem”.

  1. Sistema Nervoso Simpático (Estresse): Em situações de ameaça real ou imaginada, o sistema simpático acelera a respiração (hiperventilação) para oxigenar o corpo, e deixá-lo pronto para fugir ou atacar. Em casos onde a ameaça é mais imaginada do que real e o corpo permanece parado, isso pode causar tontura e até desencadear crises de ansiedade e/ou pânico.

  1. Sistema Nervoso Parassimpático (Relaxamento): A respiração naturalmente mais lenta e profunda ativa o nervo vago, estimulando o sistema parassimpático, que diminui a frequência cardíaca, relaxa os músculos e induz a calma. 

Aqui vale falar um pouco mais sobre o nervo vago. Ele é o maior nervo do corpo, conectando o cérebro a diversos órgãos vitais no pescoço, tórax e abdômen, incluindo coração, pulmões, fígado, baço, estômago, intestinos, pâncreas e rins. O nervo vago controla funções involuntárias como batimentos cardíacos, respiração, digestão e imunidade e até partes do ouvido, além de controlar músculos da laringe (voz). É um nervo crucial para o bom funcionamento do sistema nervoso parassimpático ("repouso e digestão"). 

  1. Neurotransmissores: São os mensageiros que orquestram a respiração, garantindo que ela se ajuste às necessidades do corpo, desde o controle básico de CO2 até a resposta para emoções e substâncias químicas, mantendo a homeostase (equilíbrio e constância) respiratória. A respiração consciente pode modular a liberação de hormônios e neurotransmissores, alterar estados emocionais, remodelar padrões de comportamento, promover um estado de bem-estar e melhorar a qualidade e o tempo de sono.

  1. Interocepção: É a capacidade de sentir as sensações internas do corpo (coração, respiração, fome, emoções). A respiração é o primeiro sinal vital que o cérebro interpreta para regular o bem-estar e equilíbrio de todo o organismo. E exercícios de respiração são formas eficazes de melhorar a consciência interoceptiva e a regulação emocional. A respiração é o único sinal vital que pode ser controlado voluntariamente, permitindo assim a modulação dos sistemas fisiológico e emocional. Quando controlamos a respiração, somos capazes de controlar nosso corpo, interferir na qualidade dos nossos pensamentos, alterar nossos padrões de comportamento e direcionar nossas tendências emocionais.



Ufa, quanta informação! Importante ter conhecimento para que possamos perceber a complexidade do nosso sistema corpo-mente-emoções. Mas e agora, o que fazemos com todas essas informações? Reconhecemos que não estamos reféns da rodinha do hamster! E sabemos que a respiração é a nossa ferramenta de cura mais acessível e ao mesmo tempo muito, muito potente e transformadora. 


Exercícios de respiração consciente são como remédio. Adianta tomar remédio para hipertensão só quando a pressão subiu? Não. Porque o efeito do remédio se dá pela regularidade e continuidade do tratamento. Com a respiração é a mesma coisa. Com a vantagem que não tem efeitos colaterais dos medicamentos. Você não vai ver efeitos imediatos, nem mudanças significativas se praticar os exercícios respiratórios só por alguns dias e depois desistir. Assim como as medicações de uso contínuo, a respiração se torna mais eficiente com a regularidade e continuidade da prática. Claro que um dia ou outro a rotina fica mais enrolada, você esquece até de respirar e de repente quando vê já explodiu de raiva. Tudo bem, é a vida real. Mas a partir deste post você já tem informação suficiente para escolher voltar para a respiração. Só com o tempo de prática você vai perceber os efeitos. Ah, Ana, e quanto tempo depois de começar eu vou sentir os benefícios? Na primeira prática você já vai se sentir diferente. Vai te ajudar desde a primeira vez. Mas para atuar de forma efetiva, para tirar você da rodinha do hamster, a regularidade é imprescindível. Como eu disse, remédio só faz efeito se você tomar. A respiração só faz efeito se você praticar. Então, pratique! Me conte como está se sentindo. Se precisar de alguma orientação adicional, me manda uma mensagem e euzinha vou te responder. (nada de IA ou bot por aqui).Voltar sempre para a respiração consciente será o nosso lema a partir de agora e convido você para descobrir como aplicar a teoria na prática.





Vamos fazer juntas um exercício respiratório em três etapas, para estabilizar, harmonizar e tranquilizar todo o seu Ser.

Ao final desse exercício, permita-se escrever pensamentos, inspirações, insights que podem surgir durante a prática. 

Como esse exercício não tem contra indicação - aliás, só benefícios! - você pode repetir sempre.

Vamos lá!


Sente-se com a coluna ereta. Se for possível feche os olhos, ou “descanse” seu olhar num ponto fixo na direção do chão à sua frente, sem pender a cabeça para baixo. Permita que a respiração aconteça de forma livre e espontânea, sem necessidade de interferir no ritmo ou intensidade da entrada e saída do ar. Ao inspirar, sinta a base da coluna firme e estável em contato com o assento, como uma âncora que mantém sua atenção no aqui e agora, trazendo segurança e alinhamento para todo seu corpo (pausa). Ao soltar o ar, sinta o fluxo da respiração subindo pela coluna e se elevando acima da cabeça, trazendo leveza e suavidade (pausa). Permaneça por alguns ciclos movimentando a respiração pela coluna, da base para o topo (pausa). Agora traga sua atenção para o som da respiração. Perceba que ao entrar e sair pelas narinas, a respiração produz uma sonoridade a partir do interior do corpo. Continue respirando sem interferir ou forçar a respiração. Sinta o ar entrando e saindo como as ondas suaves do mar, que vêm e vão (pausa). Agora, deixe as ondas da respiração fluindo e amplie sua atenção para todo seu Ser. Sinta uma brisa suave passando e tocando sua pele com delicadeza. Essa brisa esvazia a mente, levando gentilmente seus pensamentos para longe. Você fica com as sensações da brisa passando. O seu Ser inteiro respirando (pausa). Com gentileza, faça uma inspiração mais profunda e solte o ar pela boca num suspiro suave e sonoro. Ainda com os olhos fechados, leve atenção para as extremidades, movimente os pés, as mãos. Abre e feche a boca. Aos poucos, amplie os movimentos para o corpo todo, espreguice, alongue (pausa). No seu tempo, abra os olhos e retorne para suas atividades.



Respire! E até o próximo post.


O corpo lembra

O corpo sabe

O corpo cura


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