Pare de dar conta!


 


Só porque você dá conta, precisa continuar dando?


Tem coisas que você faz porque quer.

Tem coisas que faz porque precisa.

E tem uma terceira categoria, mais difícil de perceber: as coisas que você faz porque sabe fazer.

Você resolve. Organiza. “Percebe” o que precisa ser feito. Se aparece um problema, você encontra um jeito de resolver. Sem falar nos problemas que nem aparecem, porque você já antecipa e resolve antes que alguém saiba.

Bom, até agora isso pode ter sido chamado de qualidade.

Ser responsável. Adaptável. Compreensiva. Estratégica. Atenta. O mundo pode contar com você, né?

Mas será que isso é mesmo uma qualidade?

Ou foi uma estratégia para corresponder ao que esperavam de você?

Desde bem cedo aprendemos o que recebe aprovação, o que evita conflito, o que preserva vínculos. E, quando corresponder às expectativas é visto com bons olhos, facilmente esse comportamento se torna um padrão.

Considerar o outro antes de você foi se tornando tão automático que hoje você não se deixa pra depois: você se deixa de fora… um dos jeitos mais silenciosos de se abandonar.

Então eu vou te fazer uma pergunta. Melhor, vou te trazer uma reflexão: o que durante anos você chamou de “meu jeito” de fazer as coisas é mesmo o seu jeito ou foi o jeito que você encontrou para pertencer, ser aceita e amada?


Quanto mais você repete, melhor você fica

É assim que uma atleta desenvolve uma habilidade. Repete, repete, repete. Até melhorar. Até atingir a excelência.

Se você é boa em resolver, as pessoas aprendem que você resolve. Se você é boa em fazer, as pessoas aprendem que você faz. Se você é boa em se antecipar, as pessoas aprendem a esperar pela sua intervenção.

“Eu consigo” vira “eu faço”. “Eu faço” vira “isso é meu”.

Só que nem sempre são os outros que colocam tudo nas suas mãos.

Às vezes é você quem não delega. Ou delega e continua acompanhando cada passo. Não aceita o jeito do outro fazer, o tempo do outro, a solução do outro.

Pede ajuda, mas espera que a ajuda venha exatamente do jeito que você faria.

Chegamos a uma pergunta um pouco mais incômoda:

Quanto do peso que eu carrego sou eu mesma que tenho dificuldade de soltar?

Aqui eu poderia encerrar o podcast. Porque essa resposta requer mais que um instante de reflexão.

Eu vou continuar, mas te convido fortemente a voltar aqui no final e tomar seu tempo para pensar nisso.

Receber ajuda também pode exigir abrir mão do controle.

Talvez outra pessoa demore mais. Faça diferente. Não perceba detalhes que você perceberia.

E, ainda assim, ela vai fazer.

Será que dá para ficar com a solução do outro?


Pare de dar conta...

Há uma diferença entre reconhecer a própria capacidade e transformar capacidade em obrigação.

Você pode ser responsável sem assumir tudo o que aparece.

Pode cuidar sem precisar fazer tudo.

Pode receber sem controlar cada detalhe daquilo que recebe.

Pode considerar o outro sem fazer da reação dele o único critério para a sua escolha.

Da próxima vez que surgir aquela “urgência" para resolver, responder, organizar ou assumir, perceba como essa nova demanda chega até você:

No corpo.

No pensamento.

Numa lembrança.

Na sua vontade real.

Na intuição.

Talvez você faça exatamente o que sempre fez.

Mas talvez consiga criar um pequeno espaço entre surgir a demanda, se perceber e decidir o que fazer.

E, nesse pequeno espaço, nessa pausa, você pode se perguntar:

Posso fazer alguma coisa diferente agora?

Se eu seguir com isso, consigo fazer sem me abandonar no caminho?

Você continua sendo você. Continua dando conta.

Só começa a entender que ser capaz de carregar tudo não é a mesma coisa que ser obrigada a carregar.


O que vem depois?

Nesse espaço entre se perceber e conseguir sustentar uma escolha, uma mudança começa a ser construída de verdade.

Não existe fórmula mágica que muda do dia pra noite, nem receita pronta igual pra todo mundo. E você não precisa de alguém dizendo como deveria viver a sua vida.

O meu trabalho coloca você em primeiro lugar. O que te incomoda, o que você já sabe que precisa fazer diferente. Resgatamos juntas aquela parte sua que você abandonou em alguma etapa do caminho. Vamos trazer de volta suas vontades, o que você realmente precisa e quer. 

Por isso, meu acompanhamento é individual, personalizado, respeitando seu tempo. E cuidando do que está doendo agora.

Sem uma vida ideal para alcançar. Sem uma resposta pronta que sirva para todo mundo.

Se o que eu estou dizendo ressoa com uma questão que já está pesando por aí, me chama para uma conversa. Me conta o que está acontecendo.

Eu mesma te respondo. Sem bot.


O corpo lembra

O corpo sabe

O corpo cura


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